Personagens

Personagens (6)

Segunda, 29 Mai 2017 15:25

Helena Petrovna Blavatsky

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Helena Petrovna Blavatsky, ou simplesmente H.P.B., nascida Helena Petrovna Hahn à meia-noite de 30 para 31 de julho de 1831 (12 de agosto pelo calendário russo da época), em Ekaterisnoslav, hoje Ucrânia. O pai era militar e a mãe foi uma renomada romancista que morreu ainda jovem. Sua avó, uma princesa, supervisionou sua educação.
 
Desde a infância era dotada de poderes psíquicos. Sua vida, desde cedo, foi repleta de viagens. Antes mesmo de completar 20 anos, estava em Londres, quando esbarrou com seu mestre, que ela sempre via em sonhos: Mahatma Morya. Não foi um encontro fortuito, como se depreende de relato da Carta 22:
 
“...após um século de buscas infrutíferas, nossos chefes tiveram de aproveitar a única oportunidade de enviar um corpo europeu ao solo europeu, a fim de servir de laço de união entre aquela terra e a nossa.”
 
Nessa ocasião, conforme Sylvia Cranston, biógrafa de H.P.B., o Mahatma Morya lhe perguntou se aceitava uma missão, a de deixar para nós o legado da Teosofia, através da Sociedade Teosófica, convite que ela não recusou.
 
Afinal, H.P.B. atendia aos requisitos de que os Mahatmas necessitavam para cumprir a orientação de “esclarecer o mundo”, deixada por Tsong-Kha-Pa, reformador do Budismo, no século XIV. Ela possuía poderes psíquicos desenvolvidos e apresentava credenciais morais. Essa combinação permitiu aos Mahatmas dar continuidade ao plano de fundar a Sociedade Teosófica.
 
Blavatsky encontrou o Cel. Henry S. Olcott em 1874, fundando com ele a S.T., em 1875. Nesse ínterim de 24 anos - de 1849 a 1874 - H.P.B. foi capacitada pelos Mestres, no Tibete e em viagens por todos os continentes. É o que se pode deduzir de episódios descritos pelos próprios Mestres, em As Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett. O Mahatma K.H., na Carta 22, confirma o treinamento no Tibete, no mesmo trecho em que explica o papel de Blavastky em relação à sua missão - servir de conexão ou fio de transmissão:
 
“Bem, homem ou mulher algum, a não ser que seja um iniciado do “quinto círculo”, pode deixar os limites de Bod-Lhas (governantes divinos) e retornar ao mundo em seu todo integral – se é possível usar essa expressão. Um de seus satélites, pelo menos, deve ficar para trás, por duas razões: a primeira, para formar o laço de conexão necessário, o fio de transmissão; a segunda, como a mais completa garantia de que certas coisas jamais serão divulgadas.”
 
O fato de ser um “fio de conexão” é de tal importância que se ela viesse a morrer, os Mestres não mais poderiam se comunicar como vinham fazendo. É o que diz o Mestre K.H., na Carta 15:
 
“Se ela viesse a morrer hoje – e ela está realmente doente – você não receberia mais do que duas, no máximo três cartas de mim (através de Damodar ou Olcott, ou através de intermediários de emergência já estabelecidos) e então, aquele reservatório de força estando exaurido, a nossa despedida será FINAL.”
 
O encontro com Olcott, que daria suporte administrativo à S.T., como organização, não foi por acaso. É o que consta na Carta 45:
 
“NÓS a enviamos para a América; fizemos com que se encontrassem – e o experimento começou. Desde o início foi dado a entender, tanto a ele quanto a ela, claramente, que a questão dependia inteiramente deles mesmos. Ambos se ofereceram para a tentativa… soldados voluntários para uma Causa Desesperada. Seu êxito não correspondeu às expectativas de seus inspiradores originais, embora tenha sido extraordinário em certos aspectos.”

Segunda, 29 Mai 2017 15:24

Henry Steel Olcott

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Nasceu em 1832, no leste dos Estados Unidos, em uma família protestante. Passou a infância na fazenda do pai e ali estão suas raízes para a vocação em agricultura. Criou uma fazenda-modelo de Agricultura Científica e foi um dos fundadores da primeira Escola Científica de Agricultura dos EUA.

Casou-se em 1860 e, no ano seguinte, quando começou a Guerra Civil nos EUA, alistou-se no exército dos estados do Norte, contrários à escravidão, onde mostrou grande bravura.

Nessa época, foi incumbido de fazer um inquérito sobre fraudes no Órgão de Alistamento, evento que conduziu corajosamente durante 4 anos, imune às ameaças e tentativas de suborno. Por isso, recebeu elogios e foi promovido a Coronel, ocupando outros altos cargos no Exército e na Marinha.

Em 1868 saiu do Exército e se tornou advogado, profissão que lhe garantiu bons dividendos, com os quais, mais tarde, ajudaria a Sociedade Teosófica.

Interessado no Espiritismo, principalmente pelos fenômenos espíritas, em 1874 – ano em que sua esposa se separou dele – Olcott foi à Fazenda dos irmãos Eddy, onde se dizia que ocorriam tais fenômenos. Foi lá que encontrou Helena Petrovna Blavatsky pela primeira vez.

Na Carta 45 há um relato do Mahatma Morya sobre o encontro dos dois: Olcott e H.P.B.. “NÓS a enviamos para a América; fizemos com que se encontrassem – e o experimento começou.”

Os dois, juntamente com outras 15 pessoas, fundaram a Sociedade Teosófica em 17/11/1875, em Nova York. Olcott foi eleito presidente – e ficou na presidência até sua morte em 1907. Ainda na Carta 45, o Mestre Morya fala sobre Olcott e sua natural liderança: “Olhando ao redor, encontramos na América o homem para ser o líder, um homem de grande coragem moral, altruísta e possuidor de outras boas qualidades.”
No final de 1878, o coronel viajou com H.P.B. para a Índia (via Londres). Devido aos serviços prestados ao seu país, Olcott recebeu do Presidente dos EUA uma carta de recomendação a ser apresentada a embaixadas e consulados americanos na Ásia. Do Ministério das Relações Exteriores recebeu um passaporte especial, e também a missão de fazer relatórios sobre a viabilidade de ampliar as relações comerciais naquele continente.

Em Bombaim (hoje Mumbai), H.P.B. e Olcott estabeleceram o “Quartel General” da S.T.. Olcott deu palestras sobre Teosofia em várias cidades e organizou a primeira Feira Swadeshi, onde se vendiam somente produtos indianos (sendo que os colonizadores britânicos permitiam a venda apenas de produtos comercializados por eles).

Em 1880, Olcott foi ao Sri Lanka (na época: Ceilão), onde se lançou na defesa e no revigoramento do budismo. Ele viajava em carro de boi, visitando centenas de vilarejos e sendo ouvido por milhares de pessoas. Escreveu o livro Catecismo Budista, publicado em 1881 em cingalês e inglês. O livro teve um enorme sucesso, editado várias vezes e traduzido para cerca de 20 línguas. Olcott conseguiu a liberdade religiosa para os budistas e a instituição do festival budista de Wesak como feriado nacional, e promoveu a união de vários ramos budistas; por exemplo, fez representantes do Budismo do Norte e do Sul assinarem em conjunto as “Quatorze Proposições do Budismo”, escritas por ele mesmo.

Em 1882, H.P.B. e Olcott compraram uma grande área em Adyar, perto de Madras (hoje Chennai), no sudeste da Índia, e transferiram a sede mundial da S.T. para lá.
No mesmo ano, Olcott descobriu que tinha o poder de “cura natural” (através do mesmerismo ou “magnetismo animal”). Começou a viajar pelo Ceilão e pela Índia curando milhares de pessoas. No ano seguinte, os Mestres solicitaram que ele parasse essa atividade e se dedicasse a administrar a S.T. e a difundir a Teosofia.
A partir de 1883, Olcott incentivou a criação de escolas “religiosas”, de associações e bibliotecas para jovens hindus, e também criou escolas para os párias.

Entre os anos de 1885 e 1887, publicou os livros Theosophy, Religion, and Occult Science [Teosofia, Religião e Ciência Oculta], The Hindu Dwaita Catechism [O Catecismo Hindu Dvaita] e The Golden Rules of Buddhism [As Regras de Ouro do Budismo].

Em 1886, criou a importante Biblioteca de Adyar, na qual estão reunidos inúmeros escritos sobre Teosofia e as grandes religiões, inclusive documentos raros.

Em 1892, começou a escrever seu diário “Folhas de um Velho Diário” (Old Diary Leaves), muito importante para se conhecer a história da S.T. até 1898.

Divulgou a S.T. e fundou lojas teosóficas, trabalhando também em prol do budismo. Com esse propósito, fez inúmeras viagens pela Índia e por outros países asiáticos. Como Presidente da S.T. viajou ainda para outros continentes, principalmente a Europa.  
             
H.P.B. disse que Olcott foi colocado “na liderança executiva de um dos mais difíceis movimentos na história do pensamento humano”, a Sociedade Teosófica. O Mahatma K.H. afirmou na Carta 5:  “....um homem capaz de dormir em qualquer cama, trabalhar em qualquer lugar, confraternizar com qualquer pobre sem casta, suportar qualquer sofrimento pela causa... Onde poderíamos encontrar dedicação igual?”

Segunda, 29 Mai 2017 15:24

Os Mahatmas

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Segundo H.P.B., em artigo publicado na revista The Theosophist,  em julho de 1884, Mahatma (ou Mestre de Sabedoria ou Arhat ou Adepto)

“é um personagem que, por meio de educação e treinamento especiais, desenvolveu suas faculdades superiores e atingiu aquele conhecimento espiritual que a humanidade comum adquirirá depois de passar por séries inumeráveis de encarnações durante o processo de evolução cósmica, desde que, naturalmente, neste meio tempo, ela não vá contra os propósitos da Natureza...”

Na Carta 2, em As Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett, o próprio Mahatma Koot Hoomi [K.H.] descreve quem é o Adepto.  

“O Adepto é a rara eflorescência de uma geração de buscadores; e para converter-se num deles é preciso obedecer ao impulso interno da alma sem levar em conta as cautelosas considerações da ciência ou da inteligência mundanas.”

São homens vivos, mortais, e não espíritos em contato com humanos. O corpo que usam dura muitíssimo mais do que o ser humano comum, pois eles seguem rigorosamente a lei da natureza e não desperdiçam suas forças vitais. Quando precisam “trocar” de corpo, conservam a autoconsciência, diferentemente do  homem comum, para quem a morte é esquecimento.

Nesse trecho da Carta 17, em As Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett, o Mestre K.H. explica como um adepto adquire conhecimento:

"Acredite, há um momento na vida de um adepto em que todas as adversidades pelas quais passou são recompensadas mil vezes. Para adquirir conhecimento adicional, ele já não tem que recorrer a processos minuciosos e lentos de investigação e comparação de várias questões, mas alcança uma visão instantânea e implícita de cada verdade básica. ... O adepto vê, sente e vive na própria fonte de todas as verdades fundamentais..."

Ainda segundo Blavatsky,


“Eles são membros de uma Fraternidade oculta [mas] de nenhuma escola indiana em particular. Esta Fraternidade não se originou no Tibete, mas a maioria dos seus membros e alguns dos mais elevados entre eles estão e vivem constantemente no Tibete.”

A.P. Sinnett trocou correspondências com os Mahatmas, que foram compiladas na obra As Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett. Como descreve Sinnett, na pág. 98 de seu livro O Mundo Oculto, essa troca das correspondências começou assim:

"Um dia perguntei à Sra. Blavatsky se ela poderia entregar uma carta a um dos Irmãos, caso eu resolvesse escrever uma, explicando meus pontos de vista. ...como ela disse que tentaria, escrevi uma carta, endereçando-a "ao Irmão Desconhecido", e a entreguei a ela para ver se haveria algum retorno."

Mas por que os Mestres aceitaram corresponder-se com dois leigos como Sinnett e seu amigo Hume? O próprio Mestre K.H. explica, na Carta 68, que:

"De todos os nossos semichelas [aprendizes] vocês dois são os que mais provavelmente usarão para o bem geral os fatos que lhes foram transmitidos. Vocês devem vê-los como algo que lhes foi dado em confiança para o benefício de toda a sociedade; para ser passado adiante, e empregado e reempregado de muitas maneiras e de todas as maneiras que forem boas."

Em julho de 1875, poucos meses antes da fundação da Sociedade Teosófica em Nova Iorque, Blavatsky explica em seu diário, citado na obra Collected Writings, vol. 1, pág. 124, que o estabelecimento da S.T. foi o resultado da vontade dos Mahatmas:

“M. deu ordens para formar a Sociedade...“;

“Ordens recebidas da Índia mandam estabelecer uma Sociedade filosófico-religiosa e escolher um nome para ela, e também escolher Olcott.”

Segunda, 29 Mai 2017 15:23

Alfred Snnett

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Em breve

Segunda, 29 Mai 2017 15:23

Annie Besant

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Annie Wood Besant sempre foi uma grande entusiasta. Quando adolescente era tão impressionada com o anglo-catolicismo que ninguém estranhou sua resolução em casar-se com o reverendo Frank Besant, membro do clero anglicano. Mas, até mesmo por divergências doutrinárias, o casamento não durou seis anos. Segundo um amigo, ela “não podia ser noiva do céu, então tornou-se noiva do Senhor Frank Besant que dificilmente seria um substituto adequado”.

Radicalizando para o lado contrário, Annie tornou-se militante do ateísmo na livre-pensadora Sociedade Secular Nacional.
Feminista, foi a primeira inglesa a defender o uso de anticoncepcionais e chegou a ser presa, em 1877, acusada de vender "literatura obscena" - a saber, folhetos sobre controle de natalidade.

Anos depois alistou-se na Sociedade Fabiana, a pedido do amigo e companheiro socialista, o escritor George Bernard Shaw.
Em 1889, entrou para a Sociedade Teosófica após ter conhecido Helena Petrovna Blavatsky, devido a uma resenha que escrevera sobre A Doutrina Secreta. Acabou sucedendo HPB na Secretaria da Sociedade Teosófica após a morte desta.
Enquanto esteve no comando da Sociedade Teosófica, não obstante todas as dificuldades impostas, Annie Besant criou a Ordem Teosófica de Serviço, adquiriu um jornal diário em Madras (Índia) e foi em grande parte devido aos seus esforços que a Universidade Central Hindu foi formada.

Durante a Primeira Guerra Mundial, lutou intensamente pela autonomia da Índia e foi colocada em prisão domiciliar pelas autoridades coloniais inglesas. Em 1917, com a presença de Ghandi e de outros líderes indianos, Besant, aos 70 anos, foi empossada no cargo de Presidente do Congresso Nacional Indiano, título honorário porém o mais elevado que o povo indiano podia conceder.

Escreveu vários livros, dentre os quais destacam-se Brahmavidya, Karma, Introdução ao Ioga, A Doutrina do Coração, Os sete Príncipios do Homem, Dharma, A vida espiritual e Cristianismo esotérico.

Annie Besant deixou um legado de luta e um exemplo de força. Faleceu em 1933, aos 85 anos, em Adyar, onde foi cremada de acordo com os ritos hindus.

Segunda, 29 Mai 2017 15:22

Charles Leadbeater

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Charles Webster Leadbeater nasceu em 17 de fevereiro de l847, em Stockport, Cheshire, Inglaterra. No começo de 1934, o Bispo Leadbeater saiu para revisitar Sidney. Durante a viagem, ele ficou doente e morreu em Perth, Austrália Ocidental, em lº de março, poucas semanas após seu octagésimo aniversário. Reservado, introvertido, autocrático, excêntrico em certas atitudes, e algumas vezes irritável com as colisões e incompatibilidades oriundas de experiências dispares, ele não revelava facilmente seu eu pessoal. Permitia que o falátorio ou as opiniões de outras pessoas sobre si mesmo permanecessem sem serem corrigidas, quer fossem favoráveis, desfavoráveis ou simplesmente falsas. Como o número daqueles que receberam o impacto direto de sua inspiradora e algumas vezes formidável personalidade reduziu-se, o Bispo Leadbeater é conhecido hoje em dia quase que exclusivamente através de seus escritos e através dos movimentos e instituições que ele estabeleceu ou ajudou a estabelecer.

E muito poucos foram aqueles capazes de acompanhá-lo em toda a gama de seus notáveis e variados interesses. Seja como uma personalidade histórica ou como o autor de mais de vinte livros notáveis, ele conquistou um imenso poder com sua imperturbável concentração de propósitos, e sua capacidade de não levar em conta e não prestar atenção ao que ele considerava irrelevante. Leadbeater francamente reconhecia que aquilo que ele descrevia era algumas vezes diferente do que outras pessoas descreviam. Tudo o que ele tentava fazer era descrever as coisas como as via, e se isso fosse útil para qualquer outra pessoa ele ficava satisfeito. Ele era bastante inclinado à idéia de que, uma vez que o que é realmente indescritível não pode ser descrito, todas as tentativas de descrição pelo menos apontam para as mesmas realidades subjacentes, mesmo quando as descrições envolvem incompatibilidades mútuas. Assim como sua mestra, Madame Blavatsky, veio a ser reconhecida como a maior ocultista que veio a público no século XIX, do mesmo modo C. W. Leadbeater provavelmente venha a ser considerado como o maior a surgir no século XX, ou pelo menos em quase um século após a morte de Madame Blavatsky.

Quando buscamos nos aproximar deles, lendo o que escreveram ou contemplando suas vidas de dedicação e trabalho penoso que levaram, somos em cada caso levados ao contato com uma vida moldada por uma firme coragem e uma indômita lealdade. Em Leadbeater, a impressão destas qualidades é aumentada por aquela confiante imperturbabilidade que tão fortemente sugere um homem que sabia tanto para onde estava indo, quanto aquilo que tinha que fazer. Para muitos isso o colocou, em alguma medida, como sendo "alguém com autoridade", e ele continuará a exercer uma poderosa influência sobre as mentes e valores de muitas pessoas nas gerações vindouras.

Como escritor, Leadbeater tinha um estilo simples e claro, de notável distinção, e podia transmitir suas idéias com grande lucidez. Não era, entretanto, um escritor que criasse uma atmosfera especial, nem possuía a habilidade de um novelista para apresentar um personagem. Aqueles de seus escritos que são transcrições de palestras que ele deu são poucos animados e muitos repetitivos, particularmente em sua velhice. A clareza e lucidez de seus escritos podem algumas vezes ter obscurecido seu significado, fazendo com que aquilo que ele disse parecesse demasiadamente fácil e possível de ser compreendido em um nível muito superficial, mesmo pelos leitores menos atentos. Muitos procuravam seus escritos porque eles tinham uma leitura mais leve que o estilo pesado de Madame Blavatsky, bem como um vocabulário mais coloquial. O enfoque do Bispo Leadbeater era sempre essencialmente factual e ético.

Ele procurou descobrir como as coisas são, a fim de decidir o que tinha que ser feito. Generalizações teóricas não eram coisas que ele considerasse muito seriamente ou lidasse com destreza ou originalidade. Ele não era um metafísico ou um teólogo. O que ele disse em termos gerais era frequentemente apenas uma cortês concessão à maneira de outras pessoas colocarem as coisas e pode soar um tanto óbvio. Em l906, centro de uma aguda controvérsia nos Estados Unidos, ele retirou-se da Sociedade Teosófica e dedicou-se a pesquisas clarividentes na Europa. Em l909, convidado pela Sra. Besant, que agora era Presidente da Sociedade Teosófica, a reatar a sua filiação à Sociedade, ele assim o fez e estabeleceu residência em Adyar.

Foi em Adyar, em 1909, que Leadbeater descobriu, como uma criança de notáveis qualidades, o jovem Jiddu Krisnamurti. A Sra. Besant imediatamente se interessou pelo menino e concordando com a impressão de Leadbeater a respeito do menino, tomou providências para sua educação. Suas faculdades psíquicas permitiram que ele rapidamente reconhecesse as qualidades potenciais de qualquer jovem e, em muitas ocasiões, ele pode perceber as qualidades que dariam à criança um excepcional carreira na vida adulta. Uma das pessoas em relação à qual ele fez um reconhecimento deste tipo foi um jovem ceilandês, C. Jinarajadasa, que foi com ele para Londres e foi seu aluno, juntamente com o jovem Sinnett.